A Morte Não Existe

Mensagens, depoimentos e informações sobre a história da Joyce

Tome uma atitude!

Uma vez, a Joyce estava comigo (Katia, irmã mais velha) no carro, e voltávamos para casa. Paramos no sinal, e um menino maltrapilho bateu no vidro e pediu dinheiro. Isso costumava ser pouco comum, em Novo Hamburgo. Eu lembro que sacudi a cabeça, olhei para minha irmãzinha e murmurei um “coitadinho!..” protocolar. A Joyce devia ter uns 12 anos, talvez. Ela me fuzilou com os olhos verdes e disse exatamente o seguinte – Está com pena dele? leva pra tua casa e cuida! Mas não fala coitadinho só pra se sentir ‘boazinha”.

Fiquei atônita com a resposta, e mais, com a coerencia da resposta. Fui até em casa questionando o meu sentimento de pena, sentindo culpa pela preguiça e pelas desculpas esfarrapadas de falta de tempo, etc. que sempre repetia.

E bem quietinha, que bronca de Joyce não era brincadeira.

Porque lembrei disso hoje? Porque acabo de ler que na ultima declaração “contrabandeada” para fora do Irã, Sakineh Mohammadi Ashtiani pediu para, pelo menos, não morrer apedrejada na frente dos filhos, pelo “crime” de adultério. Ela é viuva, diga-se de passagem.

Olho para fora, está um lindo dia de sol e céu azul, eu estou em paz, minha família está em paz, a cidade parece em paz.

Porque, meu Deus, essa mulher tem que passar por isso? Esperar há 6 anos pelo cumprimento de uma sentença cruel, sabendo que seus filhos, que ela já não vê crescer, ficarão órfãos e sós em um lugar onde essas coisas acontecem? Porque o abaixo assinado que está sendo feito pela internet, a ONU, os governos internacionais, nenhum de nós consegue mais fazer nada?

E porque eu não consigo fingir que não sei, pelo menos, me distrair com outras coisas? Essa resposta pelo menos eu sei: porque em algum lugar deste universo tem um par de faiscantes olhos verdes me lembrando que falar é facil, mas agir é necessário.

A única coisa que eu posso fazer é divulgar o site onde se pode assinar a petição pedindo o perdão para esta mulher.

Assinem, por favor – ela é mulher e mãe, tem 43 anos, e não me importa se dormiu ou não com outros homens – é uma de nós, é um de nós, é uma criatura de Deus.

http://freesakineh.org – e eu sei que a minha irmã estaria sorrindo, agora.

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